Tecnologia na Educação: impacto, importância e caminhos para o futuro

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É fato que a tecnologia impactou, direta ou indiretamente, diversos aspectos de nossas vidas. Portanto, é claro que, com a educação, isso não seria diferente. O impacto da tecnologia na educação já vinha se intensificando quando, por conta da pandemia, teve um crescimento nunca antes visto. Para conter o avanço do vírus, as pessoas tiveram que trocar as aulas presenciais pelas virtuais e, portanto, o sistema educacional atual foi forçado a lidar com a tecnologia.

No entanto, colocar a tecnologia na educação não se trata de, simplesmente, se utilizar de aparelhos tecnológicos, mas sim mudar toda uma forma de pensamento. Não adianta, por exemplo, utilizar um computador em sala de aula, se a lógica de ensino por trás disso continuar sendo a mesma que era aplicada há décadas atrás. Então, pensando em entender melhor o que a tecnologia – e tudo que ela traz consigo – tem para agregar no sistema educacional como um todo, a Tecnun decidiu convidar profissionais especialistas no assunto para comentarem sobre essa temática.

Quer saber como foi esse papo? Então é só continuar a leitura para descobrir!

A trajetória de nossos convidados Tecnologia na Educação

A trajetória de nossos convidados

O primeiro profissional a ser apresentado é Jefferson Costa, especialista em educação e tecnologia, consultor, professor, palestrante e autor de livros. No início de sua trajetória, em 1995, conseguiu conciliar a área de informática que já atuava à sua área do coração, a docência, que começou exatamente neste ano. A partir deste momento, Tecnologia e Educação, caminharam juntas nestes 26 anos. Foi docente e gestor de grandes instituições educacionais, como SENAI, SENAC e FIAP. Como profissional de TI enveredou para o setor de Redes de Computadores, onde se tornou especialista em segurança forense computacional. Graças a convergência criada entra as áreas, também, presta diversas consultorias nas áreas de inovação e Tecnologia Educacional.

Depois, contamos com a participação de Katycia Nunes, consultora de soluções digitais para a educação na UOL EdTech, especialista em desenvolvimento de projetos de educação corporativa e estratégias digitais para a aprendizagem, que atua no mercado de educação online desde 2006, tendo direcionado sua carreira para a Consultoria em 2013. Sua primeira carreira é a de escritora. Katycia sempre teve paixão por conhecer outras culturas, religiões, pensamentos, visões e lugares. Nunca se contentou, sempre queria saber mais, estar em lugares novos e conhecer pessoas diferentes. Dessa inquietação, veio a escrita. E foi quando decidiu abandonar o Direito para fazer Letras. E assim tudo começou.

Apesar da desaprovação da mãe, que era advogada, Katycia contou com o apoio de seu pai, que mesmo em 1998, já acreditava que o EAD seria o futuro da Educação no Brasil. Em 2002, ela se mudou para São Paulo visando entrar no mercado de trabalho. Em 2004, publicou seu primeiro livro e, um ano depois, o segundo. Então, começou um trabalho como tutora de ambientes virtuais de aprendizagem na Escola do Futuro, na USP, passando a coordenadora da área de EAD apenas um ano depois. Foi uma das primeiras profissionais do mercado a se especializar nisso, pois, além de achar a inovação fascinante, abraçou o propósito de espalhar a educação por meio da tecnologia.

Também contamos com a participação de Isabella Fagnani Sánchez, especialista em educação e tecnologia e gerente de conteúdo na Saraiva Educação. Isabella se graduou em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, e em Letras pela USP. Por muito tempo, como repórter, cobriu assuntos de tecnologia. Então, assim descobriu seu fascínio pelo assunto. Em 2015, entrou na Editora Saraiva como trainee. Lá, era responsável por projetos de novos livros universitários e pelos conteúdos para cursos EaD. Em 2016, passou a integrar o time de soluções educacionais digitais da Saraiva Educação. Foi responsável pelo projeto pedagógico e de conteúdo de duas plataformas digitais voltadas ao público do Direito: o Saraiva Aprova (curso preparatório para o exame da OAB) e o Campus Lab (plataforma de estudo para graduandos em Direito).

Em 2017, como coordenadora de uma pequena, mas poderosa equipe, produzia e atualizava os conteúdos destes produtos em conjunto com a área de tecnologia. Um ano depois, ingressou na especialização em Educação e Tecnologia na Universidade Federal de São Carlos, onde se habilitou em Gestão da Educação à Distância e Produção e Uso de Tecnologia na Educação. Nesta época, já como gerente de conteúdo com um time um pouco maior, Isabella foi designada para cuidar da produção e manutenção de conteúdo de outras soluções: a Solução Enade (plataforma de banco de questões e trilhas de aprendizagem) e a Saraiva Solução de Aprendizagem (plataforma de incentivo à leitura, com atividades de metodologias ativas), ambas voltadas para Instituições de Ensino Superior parceiras.

Atualmente, além de ser responsável pelo conteúdo pedagógico de todo o portfólio de soluções digitais da Saraiva Educação, em 2020 assumiu a equipe editorial que produz os livros jurídicos de doutrina do selo Saraiva Jur. Em 2021, começou mais uma especialização em Computação Aplicada à Educação, pela USP de São Carlos. Ver o quanto a tecnologia pode ser o meio para levar educação de qualidade a cada vez mais alunos e alunas, professores e professoras, é o que mais a motiva. Segundo Isabella, pela tecnologia é possível ampliar horizontes e entregar conhecimento a mais pessoas, contribuindo para uma educação cada vez mais democrática.

Depois, tivemos a participação de Ligia Zotini Mazurkiewicz, pesquisadora, pensadora do futuro e fundadora do Voicers, um ecossistema digital de educação que busca democratizar o acesso às tecnologias e tendências futuras. Desde pequena, sempre gostou de tecnologia e tinha facilidade para manejar até mesmo as máquinas mais antigas. Ganhou seu primeiro computador aos quinze anos. O momento foi tão marcante que Ligia se lembra até hoje da primeira vez que viu um computador funcionando. Junto de sua família, bem no centro da sala, era ela quem trabalhava com aquele aparelho pela primeira vez. Então, decidiram entrar no Louvre de maneira online. Lá em 1995, ainda com aquela tecnologia bem rústica, levou muitas horas para, pixel a pixel, a Monalisa aparecer na tela. Porém, já era uma experiência que a fez entender que a tecnologia poderia ser uma ponte para o que ela trabalharia no futuro.

Já sobre a sua entrada na Educação, foi um caminho natural.  Sua mãe e suas tias, que também são educadoras, fizeram com que ela tivesse um repertório muito grande em casa. Sempre foi uma linguagem natural. Tudo aquilo que Ligia acha interessante, sua vontade natural é compartilhar, algo que é a maior característica de um educador. O educador é aquele que olha para o mundo, vê algo que o impacta, que o modifica, que o faz melhor e não consegue ficar só para si. E ela acredita que quem tem essa dinâmica é um é um professor de nascimento. Hoje possui uma carreira de mais de 20 anos na Educação e mais de 15 anos na Indústria da Tecnologia.

E, por fim, contamos com a colaboração de Tatiana Soster, professora e coordenadora de graduação da FGV EPPG em Brasília, pesquisadora e diretora geral da TSS Consultoria em gestão, educação e tecnologia para transformação significativa e sistêmica. Desde criança, entre as décadas de 1970 e 1980, sempre teve interesse em trabalhar com tecnologia. Naquela época, não era comum encontrar pessoas interessadas em computação, menos ainda, mulheres. Iniciou, então, sua trajetória com o curso técnico em Processamento de Dados na UFRGS, e seguiu para a graduação na PUCRS. Durante a faculdade, teve a oportunidade de estagiar em empresas do setor público e privado, e, depois, de ser contratada por uma empresa que desenvolvia tecnologia e sistemas para organizações nacionais e multinacionais. Em seguida, se mudou para São Paulo e trabalhou como consultora em diversos projetos, inclusive para a Montadora Ford e para o Banco Ford da América Latina. Nessa época, entendeu que necessitava de mais conhecimento sobre as organizações.

Então, ingressou no MBA em Gestão Empresarial pela FGV-EBAPE. Ainda durante o MBA, decidiu migrar para a área de gestão, e aceitou a oferta para trabalhar na área de Sistemas da FGV em São Paulo. Logo em seguida, foi convidada para assumir a área de Tecnologia Educacional. Novamente, sentindo a necessidade de aprofundar seus conhecimentos, cursou o Mestrado em Administração de Empresas na Linha de Pesquisa de Administração, Análise e Tecnologia da Informação na FGV-EAESP, cuja dissertação versou sobre o uso da tecnologia de informação e comunicação no processo de ensino e aprendizagem. Por fim, ingressou no Doutorado em Educação na PUC-SP, onde teve a oportunidade de realizar parte do doutorado na Universidade de Stanford.

O modelo tradicional de educação está ultrapassado? Tecnologia na Educação

O modelo tradicional de educação está ultrapassado?

Um dos pontos mais criticados da educação atualmente, é o seu modelo antigo. A metodologia de ensino das escolas é, basicamente, a mesma que já era aplicada há décadas atrás. No entanto, o mundo mudou. Será que o modelo de ensino tradicional continuar eficiente nos dias atuais? “O modelo de ensino que ainda subjuga o estudante, e o coloca em uma posição meramente passiva está, sim, falido”, comenta a especialista Isabella Sánchez. Segundo ela, cada vez mais os modelos de construção de conhecimento coletivos, nos quais todos constroem a experiência de aprendizagem juntos, sem hierarquias, se mostram mais eficazes e significativos.

No entanto, não é necessário ter uma tecnologia de ponta para entregar uma educação de qualidade. Conseguir articular os recursos tecnológicos disponíveis a um bom projeto pedagógico, que atenda a necessidade do estudante, é o ponto principal para o sucesso. Isso significa que condenar um modelo de aula expositiva, por exemplo, não contribui nesse debate. A questão principal é: qual o melhor modelo para entregar uma boa experiência para os alunos, com os recursos disponíveis e atendendo às necessidades? Isso depende do contexto em que se está e dos objetivos de aprendizagem.

Com a chegada da pandemia e a necessidade das aulas virtuais, muitas instituições de ensino foram obrigadas a se utilizar de recursos tecnológicos para continuarem funcionando. E, apesar de todo o lado ruim, esta poderia ser uma boa oportunidade para consolidar a união entre tecnologia e educação. No entanto, segundo Katycia Nunes, isso não parece estar acontecendo. “É ilusão acreditar que a pandemia mudou esse cenário crítico”, afirma a consultora de soluções digitais para a educação. Ela afirma que a solução adotada foi transferir o mesmo modelo de aprendizado presencial para trás de uma tela, com o professor fazendo as mesmas coisas e dando a mesma aula por vídeo-chamada.

Ainda segundo Katycia, estamos cada vez mais distantes de atualizar as salas de aula. Transformar o quadro-negro em lousa digital, por exemplo, não adianta, pois, no fundo, é a mesma coisa, a mesma forma, com um toque de tecnologia para dar a sensação de que estamos avançando quando, na verdade, estamos exatamente no mesmo lugar. “É preciso uma total reestruturação, desde as condições de trabalho e remuneração, até identificar profissionais de educação com perfil de se adaptar ou pensar disruptivamente para começarmos a evoluir para o que a educação precisa ser daqui para frente”, completa.

Qual a influência da era digital no surgimento de novos modelos de educação? O perfil dos alunos de hoje é o mesmo dos alunos de 20 anos atrás?

Qual a influência da era digital no surgimento de novos modelos de educação? O perfil dos alunos de hoje é o mesmo dos alunos de 20 anos atrás?

Como já comentamos anteriormente, o mundo mudou. Com o avanço da tecnologia e o “boom” das redes sociais, o modo e a velocidade com as quais as pessoas consomem informações se alterou completamente. Jefferson Costa, especialista em projetos, consultor, professor, palestrante e autor de livros, afirma que a era digital traz a informação em questão de segundos. Então, se o assunto é interessante, mas a aula não é, o estudante certamente buscará esse conhecimento em seus dispositivos conectados à internet. Dessa forma, ele acaba não vendo o real significado de estar na escola. “Por outro lado, nem tudo que encontramos na internet está correto, entrando aí uma outra ação docente muito interessante: ensinar a pesquisar”, completa Jefferson.

No entanto, Tatiana Soster afirma que a era digital não parece ser levada muito em consideração nos novos modelos de ensino. “Tive a oportunidade de pesquisar e trabalhar com educação e tecnologia na Web 1.0 (1-n) e 2.0 (n-n) e a influência da era digital nos novos modelos de educação foi praticamente nula”, diz a consultora, professora e coordenadora de graduação. Ela comenta que presenciou professores transpondo lâminas utilizadas em retroprojetores para slides, ou ainda, a transposição de materiais disponíveis na sala do Xerox para o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Mesmo com a Web 2.0, que privilegia a colaboração, tanto para a comunicação quanto para a solução de problemas e criação de novos artefatos significativos, o foco da educação continuou no professor, detentor do conhecimento, que o transmite para os alunos.

Foi necessário o surgimento de uma pandemia com isolamento social para iniciar o uso de tecnologia educacional na educação básica. Existem escolas particulares de nicho que já utilizam tecnologias educacionais de maneira avançada há muito tempo, assim como excelentes iniciativas na rede pública. No entanto, estes exemplos são exceções, e o impacto é restrito. “Isso quer dizer que não podemos generalizar que os modelos da educação brasileira foram efetivamente modificados pela era digital”, alerta Tatiana. De acordo com o relatório Pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas brasileiras – TIC Educação 2019, somente 34% das escolas públicas oferecem WiFi aos estudantes, e 49% na rede privada. Entretanto, a qualidade do WiFi oferecido ainda está bem abaixo do necessário para sua utilização como ferramenta pedagógica.

Já sobre o perfil dos alunos, certamente isso mudou bastante com relação a décadas passadas. Afinal, estamos falando de uma nova geração. No entanto, apesar de essa nova geração consumir muito do mundo digital, isso não significa que essas pessoas sejam fluentes digitais. “Eles consomem tecnologia, e isso não quer dizer que eles entendam o funcionamento da tecnologia, como interagir de forma saudável com ela, como usufruir dos recursos disponíveis para o seu bem-estar, da sociedade e do meio ambiente”, alerta Tatiana Soster. Portanto, é importante que a tecnologia integre o currículo escolar para garantir a formação de cidadãos capazes de transitar nos meios físicos e digitais com fluência, entendendo as oportunidades e as ameaças existentes para, então, agir de forma consciente na sociedade e no mundo.

Como a tecnologia pode transformar a educação? O que ela pode acrescentar na aprendizagem?

Como a tecnologia pode transformar a educação? O que ela pode acrescentar na aprendizagem?

Mesmo que, atualmente, ainda não tenhamos uma aplicação forte e que esteja sendo sentida por todos, a união entre tecnologia e educação tem um altíssimo potencial para mudar o sistema educacional para melhor. Novas tecnologias surgem a todo momento e facilitam o nosso acesso à informação. E com a incorporação dessas novas ferramentas nas metodologias de ensino, a tendência é que o processo de aprendizagem se torne cada vez dinâmico e eficiente.

Ligia Zotini Mazurkiewicz, pesquisadora, pensadora e fundadora do Voicers, vê com bons olhos a chegada de novas tecnologias e atenta sobre as possibilidades que podem se abrir. “Com a chegada do 5G, e toda a facilidade que vai ser para transmitir os dados, da nuvem para os aparelhos, vamos acabar tendo a possibilidade, de uma vez por todas, de ter portas para a internet, e não mais janelas”, ressalta Ligia.

Ligia comenta que os testes atuais nos dizem que, quando experimentamos a “internet de corpo inteiro”, como os óculos de realidade virtual, por exemplo, podemos vivenciar partes importantes do aprendizado. Então, este processo não é mais baseado em adquirir informação/conhecimento, mas sim em conhecimento/experiência. Quando entramos em uma tecnologia imersiva, levamos nossos sentidos (visão, audição, etc) para lá.  E, com isso, parte de nossos sentidos absorvem e geram memórias no mundo digital. “Aí é onde a gente começa a ver a revolução e a evolução que vai acontecer nesses ambientes”, comenta a pesquisadora.

Com todo este cenário aliado à inteligência artificial, seria possível, por exemplo, capturar jornadas de aprendizado individuais através das experiências desse “mundo virtual” e, então, as jornadas poderiam se tornar cada vez mais individualizadas. “Por conta disso, eu vejo uma revolução muito grande nos ambientes educacionais, onde eles serão mais lugares desenhados para que experiências possam acontecer, do que lugares desenhados para que o conhecimento possa ser passado”, explica Ligia.

No entanto, não adianta ter tecnologias extremamente desenvolvidas se não houver também uma mudança na forma de pensar o ensino. “Não acredito que a tecnologia por si só sustente uma transformação na educação”, afirma Isabella Sánchez, especialista em educação e tecnologia. De acordo com ela, não faz sentido ter tecnologias superdesenvolvidas sendo aplicadas sem a sustentação de um bom projeto pedagógico e sem, de fato, resolver as reais dores dos estudantes. “A tecnologia só pode transformar a educação quando está de mãos dadas com a pedagogia, porque entender os processos pedagógicos faz toda a diferença para se escolher os recursos mais adequados aos objetivos educacionais”, completa a especialista.

Como está o ritmo de desenvolvimento tecnológico na área de educação em comparação a outras áreas como, por exemplo, o entretenimento?

Como está o ritmo de desenvolvimento tecnológico na área de educação em comparação a outras áreas como, por exemplo, o entretenimento?

É importante entender que a indústria do entretenimento será sempre a vanguarda das tecnologias, até pelo tipo de mercado e capital que movimenta. Não é coincidência que as primeiras experiências em realidade aumentada, realidade virtual, imersão, conexão de grupos em rede, softwares de comunicação instantânea mais leves e novos formatos (como o MP4), iniciaram pela indústria de entretenimento, através de jogos, games, filmes, séries, músicas, jogos, etc. O investimento é alto, mas o retorno é muito rápido, e isso torna o risco gerenciável. “Dificilmente as outras áreas alcançarão o segmento de entretenimento em questão de inovação, mas está tudo bem, pois o importante é alguém desenvolver e testar, e nós conhecermos para saber o que utilizar”, comenta a consultora Katycia Nunes.

No entanto, apesar de estar alguns passos atrás da indústria do entretenimento, o mercado da educação vem crescendo consideravelmente em termos de inovação. “O ritmo da educação nunca esteve tão acelerado, onde plataformas educacionais, se inspiram em plataformas de entretenimento, possibilitando ao aluno uma maior atratividade e uma melhor experiência”, afirma o consultor e professor Jefferson Costa. A evolução da educação neste sentido já pode ser sentida, em maior ou menor escala, dependendo da instituição de ensino. “A inteligência artificial já é realidade na educação e pode ser encontrada em simuladores, tutores inteligentes, aplicativos de questões, atividades com feedbacks personalizados e muito mais”, completa a especialista Isabella Sánchez.

Como você imagina a educação daqui a 20 anos? O que podemos esperar para o futuro? Tecnologia na Educação

Como você imagina a educação daqui a 20 anos? O que podemos esperar para o futuro?

Se olharmos para o passado, houve poucas mudanças no modelo de ensino que era aplicado há vinte anos. Atualmente, com a evolução da tecnologia, existem algumas pessoas caminhando, a passos curtos, para transformar a educação no Brasil. Seria, então, possível fazer alguma previsão sobre como estará este cenário vinte anos no futuro? Katycia Nunes, acredita que não. “Na minha opinião, não é possível determinar absolutamente nada, em nenhum setor humano e de negócio, a tão longo prazo”, explica a consultora de soluções digitais para a educação. No entanto, ela afirma que é possível indicar algumas tendências, sabendo que há grande possibilidade de tudo mudar no ano seguinte.

No meio de 2020, o Fórum Econômico Mundial, referência global em pesquisas sobre futuro do trabalho e tecnologia no mundo, lançou uma série de ações, de todas as áreas e segmentos (inclusive educação), chamado “o grande reset”. Para resumir, essa é uma ação global, de vários especialistas e pesquisadores, comprovando e revelando um novo fenômeno mundial: a obsolescência do nosso conhecimento. Segundo o estudo, cerca de 80% da população mundial ativa terá que descartar ou adaptar todo o seu conhecimento prévio. Isso porque o impacto da transformação digital em 2020 foi tão grande que tudo aquilo que já sabemos se tornou pouco relevante.

Havia uma projeção de adaptação e mudança de hábitos para consumo e utilização de tecnologia prevista para daqui há 20 anos e, em 2020, por conta da pandemia, vivemos 20 anos em 1. Essa aceleração teve, tem e ainda terá desdobramentos que não conseguimos prever, porque não sabemos o que mudou. Nesse contexto, olhar para o futuro daqui há 20 anos e tentar prever o que vai acontecer é impossível. No entanto, é possível dizer qual é a tendência se mantivermos o curso atual, sem nenhuma outra grande mudança. “Existe uma tendência forte da descontinuação dos modelos unilaterais para os colaborativos, da mesma forma que a aplicação de metodologias ativas e prática de aprendizagem híbrida”, afirma Katycia Nunes.

De acordo com Ligia Zotini Mazurkiewicz, fundadora do ecossistema digital de educação Voices, outra tendência forte para os próximos vinte anos, é o resgate da humanidade em todas as indústrias e as áreas, mas sobretudo na educação. Atualmente, existe uma linha de montagem nas quais crianças, os jovens e adultos são submetidos no processo de aprendizagem. “Isso precisa ser revisitado urgentemente”, alerta a pesquisadora.

Para Ligia, o modelo tradicional de educação não permite a criação de um ecossistema que potencialize os talentos de cada um. “Pegamos uma criança que é única, colocamos numa sala de aula, com uma cadeira atrás da outra e faz elas reproduzirem um conteúdo massificado”, reclama. No entanto, a educadora acredita que as tecnologias vão ser fundamentais para criar ambientes mais imersivos, para que experiências sejam geradas e a educação se torne mais personalizada do que nos dias atuais. “A gente vai respeitar cada vez mais a natureza das pessoas e ler melhor os seus talentos”, completa.

No entanto, o Brasil ainda está muito atrás no quesito educação, e Tatiana Soster não acredita que isso mudará tanto no futuro: “Não sou muito otimista”, comenta a professora e coordenadora de graduação. “Penso que no futuro teremos excelentes referências como Finlândia, Coréia do Sul, Austrália, entre outras, e sistemas com baixíssima qualidade como é o caso do Brasil”, completa a educadora. Para ela, já temos a reposta para melhorar a qualidade da educação, basta querer implementá-la. Para tanto, esse deve ser um projeto de nação, e não simplesmente um slogan de campanha política. Deve-se entender que é um projeto de longo prazo. “Se continuarmos com as políticas públicas educacionais atuais, não faremos parte do grupo de excelência educacional”, afirma.

Quais são os caminhos para implementar e consolidar a tecnologia na educação de maneira geral? Isso já está acontecendo?

Quais são os caminhos para implementar e consolidar a tecnologia na educação de maneira geral? Isso já está acontecendo?

“De um modo geral, o caminho é centralizar o foco inicialmente nas pessoas e não na tecnologia”, afirma Isabella Sánchez. De acordo com a especialista, primeiro é necessário ter em mente o que se quer resolver para as pessoas e, somente depois, é que se parte para um modelo de tecnologia que funcione num contexto educacional. Além disso, a implementação depende também de se entender quais são os recursos disponíveis, qual a infraestrutura disponível para todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e entre outros fatores.

De acordo com a pesquisadora Ligia Zotini Mazurkiewicz, a pandemia pode ter sido um grande acelerômetro para a forma de adquirir e utilizar a tecnologia no futuro. “Ela fez todo mundo, de uma forma geral, acessar a digital”, comenta. Ela explica que, de alguma forma, profissionais e professora foram treinados para que pudessem, minimamente, estar habilitados a utilizar essas tecnologias essas ferramentas de ensino a distância.

No mundo, observamos um movimento grande de integrar tecnologia como meio para viabilizar aprendizados mis eficientes e conectados com a vida dos alunos. Porém, no Brasil essas ações são extremamente tímidas, pontuais e pessoais. “Não há um plano real de preparação dos educadores para utilizar tecnologia como recurso e mudar a atuação dos profissionais, de professor de preleção, para facilitador de aprendizagem”, afirma consultora de soluções digitais para a educação, Katycia Nunes. “Infelizmente, não vejo esse plano nacional, com diretrizes padronizadas, acontecendo tão cedo”, completa a educadora.

Tatiana Soster, professora e coordenadora de graduação, conclui caracterizando quatro pontos fundamentais para que tecnologia e educação, finalmente, possam ser integradas com eficiência em nosso país. Os pontos são: aceitar que a literacia digital é tão importante quanto a literacia na Língua Portuguesa e na Matemática; investir na formação de professores para o desenvolvimento da competência do aprender a aprender; realizar políticas públicas com foco na conectividade para a disponibilização de internet e computadores com qualidade adequada para fins pedagógicos, dentro e fora da escola, para a comunidade escolar, e produzir pesquisas científicas longitudinais globais para acompanhar o desenvolvimento efetivo das competências propostas pela BNCC, incluindo novas maneiras de avaliar os estudantes.

2021-06-14T19:16:49-03:00